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Chumbo, Ambiente e sociedade

 

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Chumbo, ambiente e saúde: o desafio do controle da exposição humana
Bernardino Ribeiro Figueiredo, Eduardo M. de Capitani, José Angelo S. A. dos Anjos e Wanilson Luiz-Silva (orgs.)
Formato 16x23 cm, 276 páginas
ISBN 978-85-391-0475-8

Esta publicação reúne estudos abrangentes sobre as fontes e distribuição do chumbo no ambiente, desafios ao controle da exposição humana, e resultados das investigações realizadas nas principais áreas contaminadas por chumbo no Brasil. Reúne textos de pesquisadores do Brasil, Uruguai e Portugal, abordando também aspectos sobre efeitos do chumbo no organismo humano, como danos ao sistema nervoso central e outros agravos à saúde. O livro é dedicado a profissionais e estudantes de várias áreas do conhecimento, organizações sociais e órgãos públicos vocacionados para a prevenção dos riscos inerentes à exposição humana ao metal.

 

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PREFÁCIO


O chumbo faz parte do grupo de metais mais perigosos ao ambiente e à saúde humana. Porém, ainda é muito usado como metal, em ligas metálicas ou como compostos químicos, na indústria e na agricultura.


A exposição excessiva ao chumbo pode provocar danos ao sistema nervoso central e causar outros efeitos adversos à saúde humana. O contato com solos e poeiras contaminadas é frequentemente apontado como a via principal de intoxicação, o que faz das crianças um dos grupos mais vulneráveis junto com os trabalhadores nas plantas industriais.


No Brasil já foram identificadas áreas contaminadas por chumbo em vários estados, porém não são muitos os estudos de caso nos quais tenha sido possível analisar de forma integrada, dados sobre qualidade ambiental e de exposição humana ao chumbo. São conhecidos os estudos realizados em Santo Amaro da Purificação (Bahia), Adrianópolis (Paraná) e Bauru (São Paulo). Esses estudos incluíram campanhas de amostragem e análise de concentração de chumbo em sangue de adultos e crianças, além de análises da qualidade de água, sedimento, solo, poeira e alimentos com ênfase nas determinações de concentrações de chumbo. À parte dos estudos mais frequentes e tradicionais de medicina ocupacional, esses casos constituem os exemplos brasileiros de pesquisa em saúde ambiental relacionada ao chumbo. Esses casos de exposição ambiental também foram objeto mais recente de estudos de comunicação e governança de risco e de trabalhos de avaliação e gerenciamento de risco.


Já os estudos sobre a dispersão do chumbo no ambiente abrangem um número maior de localidades em áreas de mineração, áreas urbanas e rurais, compartimentos geoquímicos diversos (água, sedimentos, solo, plantas, ar), estudos de remediação de áreas contaminadas e desenvolvimento de métodos e técnicas.


Apesar do grande volume e do amplo universo de abordagens científicas, o que se reflete em uma extensa literatura internacional sobre o chumbo, o tema no Brasil ainda deve merecer maior atenção da comunidade científica.


Este livro tem assim o propósito de disponibilizar para os estudantes e jovens pesquisadores, interessados em pesquisa sobre o chumbo no ambiente e sua relação com a saúde humana, uma revisão representativa do que já foi produzido no Brasil com informações sistematizadas e lista de referências básicas sobre o chumbo.


Esta publicação resulta de um projeto de cooperação entre os programas de pós-graduação em Geociências da Unicamp e em Energia da Unifacs com foco nos estudos de caracterização e recuperaçao ambiental no sítio contaminado por residuos industriais da metalurgia da Plumbum em Santo Amaro da Purificação, Bahia, projeto que contou com financiamento do programa CAPES-PROCAD. No âmbito desse programa que vigiu de 2007 a 2012, foram realizados, entre outros eventos, dois workshops de Geologia Médica em Salvador e várias campanhas de pesquisa em Santo Amaro da Purificação que contaram com a participação de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, estudantes e envolveram ainda várias formas de relacionamento com a população local de Santo Amaro.


Embora esta publicação seja inspirada nas atividades realizadas neste projeto, os autores que aceitaram dela participar representam um universo de especialidades muito maior, incluindo cientistas da área de saúde e das áreas de geociências e ambiental, vinculados a uma dúzia de instituições de pesquisa e órgãos governamentais.
Os autores tiveram total liberdade para apresentar os resultados de suas pesquisas sem a preocupação de seguir um roteiro ou uma estrutura previamente definida. Porém, o pré-requisito de reunir informações sobre as três áreas contaminadas mais estudadas do Brasil foi atendido. Nos artigos de Anjos, De Capitani, Paoliello & Jesus e Di Giulio os estudos de caso, respectivamente, de Santo Amaro da Purificação, Adrianópolis (Vale do Ribeira) e Bauru são abordados. No artigo dos pesquisadores uruguaios Mañay, Cousillas, Alvarez & Heller constam informações sobre o caso La Teja, bairro industrial de Montevidéu que foi palco da maior mobilização social já ocorrida na América do Sul em torno da ameaça de exposição humana ao chumbo.


Adicionalmente, este livro contém informações e diretrizes de pesquisa em pelo menos quatro temas que têm se destacado nos debates científicos neste início de século. Os tópicos relacionados à toxicologia ambiental do chumbo e aspectos epidemiológicos foram abordados pelos cientistas da área da saúde Eduardo De Capitani, Mônica Paoliello e Iracina de Jesus. Os resultados de experimentos sobre bioacessibilidade do chumbo em ensaios in vitro são discutidos pelos pesquisadores da Universidade de Aveiro, Portugal, Carla Patinha e colaboradores.
Na continuação, os leitores estabelecerão contato com vários estudos ambientais (artigos de Luiz-Silva, Bosco-Santos, Sfoggia e co-autores) nos quais a contaminação de chumbo é examinada em vários compartimentos geoquímicos como solo, sedimento, água, plantas e peixes. Nessa mesma linha de estudos ambientais são apresentadas algumas metodologias de fronteira em estudos ambientais e levantamentos geoquímicos. A poderosa ferramenta da geoquímica isotópica do chumbo é apresentada nos estudos de qualidade do ar em cidades por Babinski e colaboradores. Por outro lado, aplicações de estatística multi-elementar e dos sistemas georreferenciados de informação são exemplificados por Filippini Alba em levantamentos geoquímicos no Brasil e Uruguai.


Este livro contempla finalmente o tema da comunicação e governança de risco com o artigo da jornalista Gabriela Di Giulio visto que o debate em torno deste tema esteve sempre presente ao longo do desenvolvimento deste e de outros projetos de saúde ambiental e Geologia Médica nos últimos anos.


A expectativa dos organizadores é que esta coletânea sirva de inspiração para um grupo crescente de profissionais, cientistas e estudantes das áreas do ambiente e da saúde em contribuir para ampliar e aprofundar o debate em torno deste tema. Especificamente no Brasil as lacunas de conhecimento sobre o chumbo ainda são muito grandes e as atividades de controle da exposição humana, claramente, insuficientes.


A informação sobre o chumbo no ambiente e sobre os efeitos em saúde humana que é sistematizada nesta publicação pode também ser útil à sociedade como um todo, organizações não governamentais e órgãos públicos no sentido de redobrar a atenção sobre os riscos inerentes á exposição a esta substância tóxica e revelar caminhos para as ações de vigilância em saúde ambiental.

Os organizadores

 
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