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Mónica Arroyo e Rita Cruz

territorio_e_circulacao

Território e circulação: a dinâmica contraditória da globalização

Mónica Arroyo e Rita de Cássia Ariza da Cruz (Orgs.)
Formato 16x23 cm, 364 páginas
ISBN 978-85-391-0738-4


Procurar entender o caráter unitário e contraditório da globalização em suas múltiplas dimensões, bem como as interações entre lugares que ele origina, é uma questão que está presente nos artigos que compõem este livro. Embora se manifeste como processo geral, a circulação pode ser problematizada sob diversos aspectos por meio de diferentes abordagens, à luz de diferentes realidades históricas. Os autores deste livro assim o expõem e mostram como a geografia, em diálogo com outras ciências sociais, participa no debate acerca das particularidades que a fase contemporânea do capitalismo apresenta.

 

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A circulação é uma das bases de diferenciação geográfica. A maioria dos geógrafos clássicos dedicou parte importante de seus escritos a estudá-la. Como bem lembra Gottman,

 

A circulação de homens e de seus produtos é a grande dinâmica humana que torna tão apaixonante os estudos de povoamento e que renova constantemente a geografia. A circulação constante de multidões que se deslocam de continente a continente, de país a país, do campo à cidade e de cidade a cidade, não aparece como caótica: ela é organizada por uma rede de itinerários, por sistemas de meios de transporte. Esses itinerários são bastante estáveis, mas se modificam, todavia, com o progresso das técnicas de transporte, com os deslocamentos dos centros de atividades humanas. (GOTTMAN, 1952, p. 215)

 

Com a difusão dos transportes e das comunicações, e conforme avança a expansão capitalista, criam-se condições para que os lugares se especializem, sem a necessidade de produzir tudo para sua reprodução. As fases do processo geral de produção – produção, distribuição, troca e consumo – se desenvolvem de forma desagregada no espaço, embora não desarticulada. A dissociação geográfica das atividades, a especialização produtiva dos lugares, a divisão territorial do trabalho são noções que expressam essa divisibilidade. Esta última, porém, não é absoluta, dado que as instâncias produtivas estão articuladas através da circulação.

 

Esse processo – progressivo e acelerado com a incorporação de novas técnicas e normas – ocasiona uma intensificação dos intercâmbios, alargando a dimensão e a espessura dos contextos. Conforme explica Milton Santos, a fluidez torna-se um imperativo,

Uma das características do mundo atual é a exigência de fluidez para a circulação das ideias, mensagens, produtos ou dinheiro, interessando aos atores hegemônicos. A fluidez contemporânea é baseada nas redes técnicas, que são suporte da competitividade. Daí a busca voraz de ainda mais fluidez, levando à procura de novas técnicas ainda mais eficazes. [...] Uma fluidez que deve estar sempre sendo ultrapassada é responsável por mudanças brutais de valor dos objetos e dos lugares. (SANTOS, 1996, p. 218)

 

Procurar entender o caráter unitário e contraditório da globalização em suas múltiplas dimensões bem como as interações entre lugares que ele origina é uma questão que está presente nos artigos que compõem este livro. Embora se manifeste como processo geral, a circulação pode ser problematizada sob diversos aspectos, por meio de diferentes abordagens, à luz de diferentes realidades históricas. Os autores deste livro assim o expõem e mostram como a geografia, em diálogo com outras ciências sociais, participa no debate acerca das particularidades que a fase contemporânea do capitalismo apresenta.

 

Mónica Arroyo

Rita de Cássia Cruz

 

 

 
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