• banner_bookpartners_parceria_200_1
  • banner_claudia_plens_guarulhos
  • banner_cymbalista_a
  • banner_wulf
a pedagogia do sexo

pedagogia_do_sexo_em_o_ateneu

A pedagogia do sexo em o Ateneu: gênero e sexualidade no internato da “fina flor da mocidade brasileira"
Fernando de Figueiredo Baliero
14x23cm, 178 páginas
Isbn: 978-85-391-0730-8

 

Guiado por um romance ousado, Balieiro retoma arquivos históricos tradicionais sob uma nova ótica que explora segredos surpreendentemente mantidos por pesquisadores/as anteriores. Dentre as contribuições deste curto e inspirado livro, vale destacar como o autor, sintonizado com os Estudos Culturais, não apenas expande o que se compreende como arquivo mas, sobretudo, aposta em uma leitura dele a contrapelo. Interrogar o passado sob uma ótica questionadora dos valores morais e dos padrões de gênero e sexualidade ainda hegemônicos na sociedade brasileira tem muito a contribuir para a repensarmos. Violências e injustiças antes não reconhecidas ganham visibilidade neste empreendimento tão científico quanto politicamente comprometido.
Assim, em uma (re)leitura mais afeita a demandas de reconhecimento do presente, O Ateneu (1888) ganha atualidade e nos auxilia a repensar processos históricos que criaram o Brasil em que vivemos. Em especial, os que envolvem nossa sexualidade, nosso erotismo e a construção nacional de uma masculinidade hegemônica.
Richard Miskolci

Compre aqui

 

A pedagogia do sexo em O Ateneu revela sua contribuição original: acercar-se do romance de Raul Pompeia como “arquivo histórico” do qual se podem extrair experiências subjetivas pouco abordadas em outras análises da obra. Seu enredo transcorre num internato para filhos das elites, cuja tônica pedagógica é a pedagogização do sexo, de modo a formar corpos masculinos dóceis, consolidando assim, como argumenta Fernando Balieiro, a matriz heteronormativa afinada com as novas tecnologias de poder. No Brasil de fins do século XIX, os desafios e conflitos enfrentados pela elite republicana, relacionados à urbanização e às mudanças dos regimes político e de trabalho, são respondidos num discurso positivista e social-darwinista que recusa um “passado” de miscigenação e “degenerescência”, ligado especialmente à presença negra

 

[...]

 

O trabalho de Fernando desconstrói com acuidade um sistema de gênero que é sistema de poder. Inscreve-se, com o viés queer que assume, num conjunto de abordagens cujo foco é a crítica dos sistemas de repre-sentação totalizantes da modernidade, à teleologia da modernização, e para as quais o texto literário é privilegiado para apreender a formação desses sistemas e suas brechas, como a antropologia interpretativa e os estudos pós-coloniais, que, todos eles, dialogam com Foucault, Deleuze e Derrida. O ponto de vista escolhido por Fernando é, assim, estratégico e profícuo para interpretar um contexto histórico concreto de moder-nização, já sobejamente analisado de outras perspectivas sociológicas e históricas, que igualmente trabalham com a literatura. Por outro lado, tem o mérito de se distanciar de um interpretativismo pós-moderno que tende a reduzir a cultura e o político à textualidade.

 

Neste livro, opera-se a genealogia de um sistema classificatório, que desclassifica para roubar aos sujeitos a faculdade de enunciação e impor uma episteme, como diria Foucault. Mostra-se o caráter arbitrário e con-tingente desse sistema, que é o de todo discurso, e seus efeitos de poder, ao fazer corresponder suas categorias a uma suposta realidade pré-existente, quando, do ponto de vista foucaultiano, nenhuma realidade humana é anterior ao discurso. O caráter fragmentário e ambivalente desse sistema emerge da análise do romance de Pompeia e de sua biografia, das tensões que atravessam os personagens e a pessoa do autor, na experiência da incorporação de uma subjetividade hegemônica.

 

Renata Medeiros Paoliello
A pedagogia do sexo em o Ateneu: gênero e sexualidade no internato da “fina flor da mocidade brasileira"
Fernando de Figueiredo Baliero
14x23cm, 178 páginas
 
^ Top ^