• banner_jair
  • banner_norma_telles_4
  • banner_gustavo_bernardo_2
  • banner_annablume_novo_endereco_2
Home Sociologia
A teoria do discurso de Ernesto Laclau

 

a_teoria_do_discurso_de_ernesto_laclau

A teoria do discurso de Ernesto Laclau: ensaios críticos e entrevistas
Alice Casimiro Lopes e Daniel de Mendonça
Formato: 16x23, 164 páginas
Isbn: 978-85-391-0756-8

 

Este livro é composto por duas longas entrevistas concedidas por Ernesto Laclau, que apresentam sua obra e atuação; o ensaio Pós-marxismo sem pedido de desculpas, escrito por Ernesto Laclau junto com Chantal Mouffe; e três artigos de cientistas sociais brasileiros sobre o pensamento de Laclau.
Os artigos visam a difusão da teoria do discurso mas, também, visam expressar sua tradução para problemáticas que não necessariamente seriam pensadas pelo próprio Ernesto Laclau. As entrevistas, por sua vez, são inéditas e apresentam as respostas de Ernesto a questionamentos e discussões decorrentes das investigações realizadas em diferentes campos no Brasil. Já o ensaio de Laclau e Mouffe situa de forma muito clara seus questionamentos aos críticos do pós-estruturalismo e, desse modo, permite um entendimento mais rigoroso dos enunciados do pós-marxismo.


Compre aqui

 

"Ernesto se reafirma como um intelectual de esquerda que teoriza ao mesmo tempo em que se posiciona sobre as revoluções de nosso tempo"

 

Por Alice Casimiro Lopes e Daniel de Mendonça

 

Nos últimos anos, o interesse pela obra de Ernesto Laclau vem se ampliando no Brasil, em um movimento que tem conexões com o destacado estudo sobre a teoria do discurso na América Latina, na América do Norte e na Europa. Grupos de pesquisa na Ciência Política e na Educação têm sido protagonistas desse interesse, voltados que estão para conceber os processos políticos como parte de uma vivência social mediada discursivamente, interconectando cultura, sociedade e economia. Observa-se a incorporação dos registros pós-estruturais e pós-fundacionais, questionando o realismo, o objetivismo e o determinismo na interpretação do social, bem como seguindo a proposição crítica de Laclau (2003) frente aos estudos que simplesmente realizam o reverso niilista da modernidade ao sabor da fluidez das diferenças desarticuladas. São cada vez mais valorizados estudos que operam com a subjetivação/objetivação/identificação, a fluidez dos processos de significação, a contingência, as estruturas desestruturadas, o vazio normativo, a relação incomensurável entre particular e universal, questionando as estruturas auto-explicativas, a normatividade fundacional, o sujeito centrado e os projetos políticos protagonizados por um sujeito privilegiado com direção pré-estabelecida para a mudança social.

 

As bandeiras de muitos dos projetos históricos – justiça social, liberdade, emancipação – não são abandonadas, mas são reconfiguradas como particulares que se universalizam, na medida em que têm seu sentido, provisório e contingente, negociado. Tais bandeiras são representadas por significantes vazios, não pela ausência de significação, mas pelo excesso de sentidos, o constante adiamento de sua significação, produzida pela articulação de demandas diferenciais frente a um exterior representado como ameaça.

 

Tais enfoques tornam os campos das ciências sociais e humanas mais abertos às problemáticas da filosofia e da linguística, suas fronteiras mostram-se mais porosas a diferentes discursos. Não se realiza, contudo, a mera transferência de sentidos de um campo a outro. Apoiados em Siscar (2013), concordamos que são realizadas traduções de discursos, tensa mediação entre problemáticas. A teoria do discurso é iterada – não aplicada –, levando à elaboração não apenas de novas respostas, mas de outras perguntas, outras questões de investigação.

 

[...]

 

Em movimentos como esses aqui mencionados e outros menos tangíveis, ou mesmo intangíveis, surgiu a proposta de organizar o presente livro. Mantendo a perspectiva transdisciplinar, por vezes anti-disciplinar, os artigos aqui reunidos visam a difusão da teoria do discurso, mas também visam expressar sua tradução para problemáticas que não necessariamente seriam pensadas pelo próprio Ernesto Laclau. As entrevistas, por sua vez, são inéditas e apresentam as respostas de Ernesto a questionamentos e discussões decorrentes das investigações realizadas em diferentes campos no Brasil. Trazemos também um texto de Laclau e Mouffe, inédito em língua portuguesa.

 

Apresentamos inicialmente a entrevista organizada pelo Programa de Pós-graduação em Educação (ProPEd) e pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Em uma tradução especialmente realizada para este livro, apresentamos o artigo Pós-marxismo sem pedido de desculpas, escrito por Ernesto Laclau, com Chantal Mouffe, como resposta a Norman Geras, então professor emérito no Departamento de Governo da Universidade de Manchester, com larga publicação sobre marxismo, e crítico da perspectiva discursiva. Este texto, ainda que se refira a um debate do fim dos anos 1980, mostra-se extremamente atual, na medida em que muitas dessas críticas –sobre as relações ôntico/ontológico, realismo/idealismo e sobre o marxismo – permanecem sendo objeto de discussão. A resposta de Ernesto e Chantal situa de forma muito clara seus questionamentos aos críticos do pós-estruturalismo e, desse modo, permite um entendimento mais rigoroso dos enunciados do pós-marxismo.

 

Em seguida, incluímos o artigo de Daniel de Mendonça Pensando (com Laclau) os limites da democracia. Este texto focaliza uma discussão central na ciência política: a democracia e os atuais movimentos sociais. Tem como pano de fundo as críticas contemporâneas que a democracia liberal representativa e o capitalismo global vêm recebendo de movimentos, tais como Occupy Wall Street, Los Indignados, entre outros, além dos recentes avanços eleitorais de partidos políticos europeus de esquerda, como o Syriza, na Grécia, e o Podemos, na Espanha (estes últimos declaradamente influenciados pela teoria do discurso de Laclau). A questão central da reflexão do texto é a seguinte: o que torna a teoria da hegemonia tão atraente como projeto político para as novas experiências de esquerda nesta virada de século?

 

Incluímos, posteriormente, dois textos que focalizam os temas religião e educação, respectivamente, distintos das questões políticas mais gerais que compõem o pensamento de Laclau. Esses são exemplos do movimento mais amplo que faz a teoria do discurso transpor suas usuais fronteiras no campo político.

 

Joanildo Burity, em seu texto Encarnação, contingência, política do nome:  “religião” como ferramenta analítica e prática social-histórica na obra de Ernesto Laclau, defende que Laclau, desde os anos 1990, recorre às categorias encarnação, experiência mística, bem como à problemática da teologia negativa no desenvolvimento de sua teoria do discurso. Ernesto desenvolve essa incorporação sem em nenhum momento abordar os estudos de religião ou o tema sociológico-político da religião.

 

Alice Casimiro Lopes, em seu artigo Normatividade e Intervenção Política: em defesa de um investimento radical, salienta que a questão da normatividade se agudiza quando se trata de pensar a política curricular (e educacional) das futuras gerações.

 

Finalizamos o livro com uma segunda entrevista com Ernesto Laclau, realizada por Alice Casimiro Lopes e Daniel de Mendonça, focalizando as noções de antagonismo, deslocamento, ideologia, democracia, populismo. Nessa entrevista, Ernesto se reafirma como um intelectual de esquerda que teorizava ao mesmo tempo em que se posicionava sobre as revoluções de nosso tempo.

 

 

 

 

 
^ Top ^