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Home Arquitetura e Urbanismo
A ilusão urbanística

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A ilusão urbanística: o papel do Estado na expropriação dos Caiçaras
Alan Faber do Nascimento
Formato: 16x23cm, 150 páginas
ISBN: 978-85-391-0764-3

 

Numa análise crítica, este livro vai além das investigações que avaliam o planejamento do espaço urbano apenas sob o aspecto dos seus limites, para tentar apreender uma ilusão colocada em nome de uma pretensa objetividade. Tomando como referência o arquipélago oceânico de Ilhabela, no litoral norte paulista, Alan Faber problematiza duas questões que já há muito poderiam ter sido resolvidas pelo Estado por meio do ordenamento territorial. Trata-se, de um lado, da proteção de um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica de São Paulo, bem como dos ecossistemas a ela associados e de sua biodiversidade; e, de outro, a preservação do modo de vida tradicional das populações caiçaras, em desequilibrado contato com a sociedade ocidental globalizada. No decorrer da pesquisa, o autor observa como tais questões são ilusórias. O ordenamento territorial visando à preservação da natureza nada mais é que do que um álibi para a reprodução de um mercado imobiliário de alta renda, baseado na expropriação do território caiçara, ao passo que as medidas de proteção às chamadas comunidades tradicionais, além de imobilizar as populações caiçaras num passado idealizado, criam padrões urbanísticos e arquitetônicos cada vez mais restritivos e, consequentemente, mais exclusivos, bem ao gosto de um consumo turístico elitizado.

A Ilusão Urbanística: o papel do Estado na expropriação das populações caiçaras mostra o Estado como agente imobiliário e expropriatório no processo de urbanização do litoral norte paulista, em especial de Ilhabela. Alan Faber do Nascimento, o autor desta importante obra, demonstra, por meio de sua pesquisa, como o litoral norte se tornou um espaço de circulação e consumo das elites metropolitanas.

 

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A ilusão do discurso do desenvolvimento sustentável norteou o ordenamento territorial por parte do Estado, servindo para a reprodução do mercado imobiliário de alta renda. As políticas da intervenção estatal acabaram contribuindo na geração de conflitos de classe, levando à segregação espacial e ao empobrecimento da população local, conhecida como caiçara. Dessa forma, o pequeno produtor foi despejado de sua terra, não lhe restando outra alternativa a não ser tornar-se proletário, seja na atividade de pesca, seja em atividades vinculadas a trabalhos domésticos e de serviços em geral, ocupando sempre posições subalternas. A investida contra o modo de vida caiçara, que tem na posse da terra o seu elemento estruturador, ganhou especial intensidade a partir das décadas de 1960 e 1970, com o desenvolvimento do turismo.

 

O livro que agora vem a público é fruto da tese de doutorado de Alan. Por intermédio de sua pesquisa, o autor descortina, por entre as belas paisagens do litoral norte paulista, as contradições de uma sociedade desigual e violenta. Um visitante desavisado não a enxerga, ofuscado pelos atrativos naturais e turísticos a lhe proporcionarem conforto e entretenimento. Os turistas, como usualmente são chamados os visitantes, dificilmente verão o esbulho a que são submetidos os habitantes do lugar.

 

Silvia Regina Paes

UFVJM

 

 

 

 
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