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A terra treme

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A terra treme : leituras do Brasil de 2013 a 2016

Bruno Cava e  Márcio Pereira
Formato: 16x23 cm, 115 páginas
ISBN: 978-85-391-0813-8

 

O Brasil de 2013 a 2016 em três artigos:

1. Apoiado pelo método da dramatização que Deleuze acrescenta ao 18 Brumário de Marx, Bruno Cava analisa o que sucedeu no Brasil entre a restauração do levante de junho de 2013 e o impeachment de Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016.

2. 15 anos da Uninômade, uma história de êxodos, através dos platôs de uma política menor, atravessada por linhas de intervenção que, embora não tenham se originado dela nem nela se resolveram, deram vida às suas produções.

3. Para Salvador Schavelzon, “não se trata aqui de decretar a morte de um partido, que continuará atuando e possivelmente também participará como parceiro minoritário de novos governos. Trata-se, em vez disso, de registrar o fim de uma era, que se conclui pondo de lado o modo como aqueles que foram os seus protagonistas entendiam a política”.

 

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O momento em que esses textos aparecem é, diga-se de passagem, dos mais oportunos. Diante do atual quadro de aguda devastação da paisagem política brasileira, de polarizações estéreis e em meio a tantos discursos mistificadores, textos que efetivamente se proponham a pensar costumam trazer consigo um poderoso efeito de descompressão. Uma descompressão, principalmente, naquela que é uma de nossas faculdades mais caras, a saber, nossa capacidade de imaginação política – capacidade de arquitetar modos outros de existir em conjunto.

 

Para além do efeito-descompressão, percebe-se, especialmente no texto coletivo da Uninômade "Quando a trama da terra treme", a tentativa de pensar novos campos de implicação das múltiplas singularidades indignadas. Ao se mobilizar, por exemplo, em torno da pauta da renda universal incondicionada – tema hoje praticamente negligenciado pela "esquerda" partidária mesmo em relação à sua forma embrionária Bolsa Família – o texto procura pensar em um campo no qual as inúmeras singularidades possam ressoar; um campo no qual elas possam causar comum umas com as outras. Similarmente, ao evocar a potência da luta dos garis cariocas – que, em 2014, deflagraram uma das mais contagiantes greves do país dos últimos anos, e que, de lá pra cá, vêm recriando e expandindo a própria luta – o texto da Uninômade procura cartografar brechas disruptivas onde múltiplas singularidades possam causar comum. Idem em relação à luta dos secundaristas. Em meio à luta dos estudantes – que, tendo eclodido em 2015 na cidade São Paulo, continua, ainda hoje, bastante ativa em várias localidades do país – o escrito também busca pensar em possíveis espaços de implicação recíproca.

 

Retomando agora à questão do "arriscar pensar", ou do "pensamento-risco", o ensaio "O 18 de brumário brasileiro", de Bruno Cava, é nesse sentido primoroso. Articulando a potência das filosofias de Marx e Deleuze – e, em particular, do método de Marx, em "18 de brumário de Luís Bonaparte", e do de Deleuze, em "Diferença e repetição" – Cava realiza um projeto audacioso: avalia, como ele mesmo diz, "o que sucedeu no Brasil entre a restauração do levante de junho de 2013 e o impeachment de Dilma Rousseff". Um dos pontos altos do texto acontece quando o autor, trabalhando com a noção de repetição histórica oriunda dos intrépidos Marx e Deleuze, relaciona a ascensão de Michel Temer à presidência do Brasil em 2016 com à de Luís Bonaparte ao comando da França em 1851 (ocasião em que, vale recordar, o estadista francês, após declarar-se imperador, restabeleceu a monarquia e dissolveu a Assembleia Nacional).

[...]

Salvador Schavelzon contribui aqui com o ótimo "A chegada do Temer: radicalização conservadora e fim de ciclo". Escrito originalmente em espanhol e, de início, pensado para um público "de fora", o texto, ora traduzido, funciona, na verdade, muito bem para o público "de dentro". No ensaio, dentre outras coisas, Schavelzon efetua um agudo e amplo balanço crítico a respeito da história recente do PT que, tendo estado à frente do governo federal por 13 anos, terminou sendo afastado em 2016 após a consumação do impeachment de Dilma Rousseff. Mais especificamente, o autor vai fundo na reflexão sobre o projeto político "progressista" perseguido pelo PT durante o período em que esteve na dianteira do governo.

 

Do prefácio de Márcio Pereira

 

 

 
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