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Combate à vontade de potência

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Combate à vontade de potência
Marcelo Checchia
Formato: 16x23 cm, 291 páginas
ISBN: 978-85-391-0815-2

Se no palco do poder grassam, há eras, dois sólidos palanques o daquele que domina e o do que é dominado, também não é de hoje o fato de que a circulação dos que ali se inscrevem, em cena, permite que as suas posições não se revelem sempre as mesmas. No entanto, se é a vontade de potência (para si ou para o outro) que segue constituindo o rodízio desses papéis, pouco se sai de um jogo em que parece não restar enredo algum que não o de devorar ou ser devorado, querer tragar ou se ver tragado; pouco se desvia da ideia de que é no outro que se encontra o limite (a ser transposto ou fomentado) daquilo que, em nós, persevera no silêncio do potencial. Combater a vontade de potência é reconhecer espaços nos interstícios, por debaixo das máscaras, nos entredentes dessas engrenagens que a conjuntura, escamoteando, dá. Trata-se de um trabalho de busca, por outras vias, não de um giro em falso nessa roda desafortunada de uma violência contra o outro ou contra si, mas o entusiasmo de querer se haver com novos laços, novas lidas com a alteridade: um giro que desarma por aceitar-se desarmado; um giro em torno de outros e novos como por inventar, por construir, por reconhecer ou despertar nas lacunas do presente.

Partindo do projeto do psicanalista Otto Gross com o escritor Franz Kafka, este livro coloca em debate, sob diferentes prismas – psicanálise, filosofia, sociologia antropologia e literatura –, essa paixão humana pela dominação e pela servidão e as possibilidades de combatê-la por meio desses giros que propiciem novas formas de laço.

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Marcelo Amorim Checchia:

Este livro é uma homenagem a esse psicanalista original, polêmico, dotado de uma inteligência notável e que era, ao mesmo tempo, um anarquista e um adicto convicto. Essa homenagem ocorrerá de duas maneiras e em duas partes. A primeira é dedicada ao resgate do pensamento de Otto Gross. Para tanto, além de um capítulo destinado a apresentar sinteticamente suas ideias e sua obra, essa primeira parte é composta por outros ensaios que tratam de algumas fontes que o influenciaram, especialmente no que diz respeito à noção de vontade de potência. Como a revista por ele idealizada não veio a ser realizada, o intuito aqui é o de colocar em discussão os principais conceitos nos quais Gross se baseou para fundamentar sua teoria. Foram então convidados psicanalistas, psicólogos, filósofos e sociólogos, cujos estudos passam ou passaram por alguns dos principais autores de referência para Gross, a saber: Franz Kafka, Karl Marx, Max Stirner, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. Teremos, assim, uma noção um pouco mais precisa de como seria essa revista.

 

A segunda parte dessa homenagem consiste na reatualização desse projeto à luz de outros autores clássicos e indispensáveis tanto para analisar o que leva o ser humano a estabelecer relações de domínio e servidão, como para identificar possíveis formas de resistência a essa tendência humana – e, com isso, tentar encontrar meios de combater a vontade de potência. Para esse fim, foram chamados outros psicanalistas, psicólogos, sociólogos e filósofos para escrever ensaios a partir dos seguintes autores: Georg Simmel, Theodor Adorno, Michel Foucault, Pierre Clastres e Jacques Lacan.

 

Com essa variedade de autores, logo se nota que, embora seja inspirado no projeto de um psicanalista e interpele um tema partindo sobretudo da perspectiva psicanalítica, este livro não é exclusivamente de psicanálise ou sobre psicanálise. Ele procura realizar outro projeto que Otto Gross (1919) idealizava: colocar a psicanálise no centro das ciências humanas (da literatura, da filosofia, da sociologia, da antropologia), para que ela sirva ao espírito da revolução. Por isso, esse livro destina-se não somente a psicanalistas, mas a todos que são dotados de um espírito insurgente, que são possuídos por uma paixão antiautoritária e que se revoltam tanto com os abusos de poder quanto com os excessos de servidão que ocorrem das mais variadas formas – nas discriminações, nos preconceitos, nas segregações, nas reificações – e nos mais diversos níveis: na violência doméstica, nas instituições, nas relações entre o Estado e seus cidadãos, entre os cidadãos e também entre os Estados.

 

 

 

 
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