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Home Arquitetura e Urbanismo
Viajantes na cidade
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Viajantes na cidade: a aventura dos usuários de transportes públicos em São Paulo
Christina Maria de Marchiori Borges
Formato: 16x23 cm, 144 páginas
ISBN: 978-85-391-0817-6

 

Em Viajantes na cidade, Christina Maria de Marchiori Borges apresenta aspectos da cultura dos usuários de transportes públicos, mais especificamente, dos viajantes de ônibus e de metrô na cidade de São Paulo, no início do século XXI.
Com o olhar no viajante, aquele que realiza a viagem, ela investiga os hábitos de uso nesses meios de transportes, as preparações das viagens, as percepções, as linguagens e as sociabilidades. A pesquisa abordou também como as viagens e a cidade são simbolizadas e de que maneira o imaginário emerge da mobilidade urbana.

 

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"Christina viaja em boa companhia. Acercou-se dos mestres, dos mais antigos aos mais contemporâneos, de Malinowski a Richard Sennet."

 

Por Mariza Werneck

 

Em um de seus Diários, a poeta portuguesa Gabriela Llansol fala de uma certa “colher do nosso pensamento diário [que é] feito de comer, dormir, perder a esperança, encontrar a esperança, apagar-se, persistir, arrastar a pergunta por que razão”.

 

Esta imagem me parece muito apropriada para começar a falar do livro de Christina. Talvez tenha sido exatamente esta fugidia poção diária, esta pequena colher cujo conteúdo é digerido às vezes quase sem perceber que Christina tenha ido buscar naqueles rostos anônimos dos passageiros do metrô e de ônibus.

 

“Para além do cansaço e das dificuldades do usuário no uso dos transportes coletivos o ‘viajante urbano’ experimenta outras vivências”, diz ela.

 

Que vivências seriam estas? Para descobri-las Christina não hesitou em bisbilhotar mochilas, em aguçar os ouvidos para escutar conversas alheias, em abrir bem as narinas para sentir odores  – bons na ida, feitos de cheiro de banho e desodorantes baratos, e nem sempre tão bons na volta, liquefeitos em suor e cansaço – e em fazer-se também viajante de incerto destino, sem nunca render-se aos gestos puramente maquinais, às respostas previsíveis, à aparente ausência de significados das coisas banais.

 

Christina viajou em boa companhia. Acercou-se dos mestres, dos mais antigos aos mais contemporâneos, de Malinowski a Richard Sennet. Com eles aprendeu persistência e método. No lugar que me coube, de sua orientadora, eu a vi lentamente transformar-se em etnógrafa, fazendo perguntas, refazendo-as, hesitando, avançando, começando tudo de novo. E tudo isto foi muito gratificante de ver, e de aprender com ela.

 

Entre outras coisas aprendi que aqueles objetos guardados nas mochilas que ela revirou fazem parte de um ritual que, embora de caráter profano, nada fica a dever a tantos outros, tidos como sagrados. Ritual que se inicia na véspera da viagem. Cada objeto depositado na mochila guarda uma significação precisa, uma utilidade própria, ou uma força imaginária. Aparentemente misturados – uma escova de dente, um guarda-chuva ou a foto do namorado – convivem em harmonia, assegurando que, diante de todo e qualquer imprevisto, eles estão ali, disponíveis, ao alcance da mão, um insólito microcosmo que não só faz parte, mas conta a história de seus donos.

 

 

 

 

 

 
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