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Home Arquitetura e Urbanismo
Incorporação da metrópole

 

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Incorporação da metrópole : transformações na produção imobiliária e do espaço na fortaleza do século XXI
Beatriz Rufino
Formato: 16x23 cm, 332 páginas
ISBN: 978-85-391-0796-4

 

A compreensão da ampliação da importância da produção imobiliária na transformação das cidades brasileiras é a questão central deste livro. Referenciando-se nas mudanças do contexto nacional, Beatriz Rufino debate o significado desses processos a partir de Fortaleza – Ceará. Nessa metrópole, verificou-se, durante a primeira década do século XXI, um expressivo aumento do número de lançamentos imobiliários e uma intensa diversificação dos empreendimentos, coincidentes ao fortalecimento da atuação de grandes incorporadoras nacionais e locais.

Partindo das relações de produção do imobiliário sob o domínio da incorporação, a autora discute a reorganização do capital no setor, a atuação dos principais agentes envolvidos, suas estratégias para maximizar os ganhos e os reflexos na produção do espaço. O que esse percurso permite decifrar, é o fortalecimento da atividade de incorporação e seu crescente entrelaçamento com o capital financeiro, determinante na condução de um importante movimento de centralização do capital no setor imobiliário que ganhará força na redefinição da urbanização da metrópole.

 

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"A centralização mundial do capital no imobiliário se manifesta como uma nova produção do espaço na cidade contemporânea."

Por Paulo Cesar Xavier Pereira

 

A atualidade e discussão deste livro ganham relevo porque nele fica claro como a centralização mundial do capital no imobiliário se manifesta nos empreendimentos, particularmente, das grandes empresas de incorporação como uma nova produção do espaço na cidade contemporânea. As referências evidenciadas na transformação da cidade de Fortaleza permitem o tratamento rigoroso com que dados e informações dos processos são submetidos pela autora à crítica e ao estado do debate internacional sobre o tema. Ressalta-se como o aumento da centralização do capital no imobiliário e de seu imbricamento com a movimentação financeira, devida à forte presença do capital fictício, contribui para tornar central os rendimentos da propriedade patrimonial – mobiliária e imobiliária – de caráter rentista (Chesnais, 2005). Esses rentismos discutidos como fenômeno mundial e analisados de maneira particular no caso da apropriação e produção do espaço dessa cidade, implicam a reprodução de maior volume de capital e na exigência de ampliar o valor a ser alcançado nessa produção, resultando em importantes determinações para a continuidade da realização dos produtos imobiliários.

 

Esses produtos, se comparados às demais mercadorias, têm como especificidade sua intrínseca relação com espaço. O terreno para a construção do edifício é reimposto como condição essencial a cada novo ciclo produtivo, tornando-se uma característica determinante da produção do espaço e do valor. Na produção imobiliária, cada novo produto a ser construído exige um novo terreno para a construção e isso faz com que a sua renda capitalizada se torne um pressuposto que precisa ser reposto a cada obra para pagar o crescente aumento do preço da terra. A constante elevação dos preços gera insegurança e inclusive incerteza na continuidade da produção imobiliária, o que impõem estratégias diversas (financeiras, comerciais e industriais) e mobilidades incessantes na procura de negócios imobiliários com maior rentabilidade. Essa procura mantém alta a constituição do preço de monopólio dos imóveis que tende a resultar de uma dupla condição, uma relacionada ao pagamento de uma renda capitalizada pelo monopólio da propriedade imobiliária e outra pela conversão em renda do lucro extraordinário gerado pelos capitais envolvidos na produção. Marx indica a necessidade dessa distinção e recomenda considerá-la na análise da renda dos terrenos para construção. Numa condição, se está diante de determinação do valor (de troca) e da renda da propriedade imobiliária derivado da capitalização e na outra condição, a determinação deriva das variações da produção imediata. Derivações totalmente distintas – ora pelo processo de capitalização, ora pelo de valorização – que se conciliam no gradiente de preços do mercado imobiliário.

[...]

De maneira que se ressalta como a contribuição da autora não se furtou ao desafio de analisar esses espaços que a expansão desigual da produção imobiliária encontra em Fortaleza. Expõe como nessa metrópole persistem vários entraves à reprodução do capital no espaço, tais como: a violência, a falta de infraestrutura, a precariedade habitacional e as sérias deficiências no sistema viário e de transportes. E revela como esses problemas são apropriados na promoção da incorporação imobiliária e torna a cidade, cada vez mais, segregada, aumentando a suspeita de insuficiência tanto do planejamento urbano como da ação urbanizadora do Estado. Aponta que compreender essa promoção ilumina o esforço de legitimação da nova lógica de produção do espaço, que nega o urbano como lugar da vida em sociedade e favorece a instrumentalização do espaço como um projeto global do capital. Portanto, este importante livro não se limita a teorizar a discussão das ideias, mas se torna um ato que implica compreender a ação de quem produz essas ideias e produz a difícil realidade de nossas cidades.

 

 

 

 

 

 
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