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Guerra nos mares do Sul

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Guerra nos mares do sul: o papel da oceanografia na destruição de territórios tradicionais de pesca
Gustavo G.M. Moura
Formato: 16x23 cm, 362 páginas
ISBN: 978-85-391-0834-3

 

Para a análise dos conflitos nos territórios de pesca no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, que desenham também uma espécie de “guerra das ciências” (ou das diferentes modalidades de conhecimento), Gustavo Moura busca em Laschefscki o conceito de conflitos ambientais territoriais. Um ponto de partida fundamental refere-se ao questionamento “decolonial” da unidade científico-epistemológica do conhecimento, tão evidente nas metanarrativas teóricas da modernidade em sua versão hegemônica.

Dá-se assim o reconhecimento da necessidade de ler o mundo na sua diversidade epistemológica, através de uma visão “situacional” tal como proposta por Boaventura de Souza Santos. Nela se delineiam pelo menos três grandes modalidades ou perspectivas de conhecimento: o conhecimento “ecológico tradicional”, o “científico moderno reducionista” (que também poderia ser denominado, para fazer jus ao amplo uso “decolonial” do termo, “moderno-colonial”) e o governamental. É nesse jogo, principalmente entre a primeira e a terceira abordagem, que se desdobra a análise do autor.

 

Do prefácio de Rogério Haesbaert

 

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Tese original é vencedora do Prêmio Tese de Doutorado Darrell Posey (2014) e foi indicada para outros quatro prêmios:

1 - Prêmio Tese Destaque USP (2015); 2 - Premio Capes de Tese (2015); 3 - Prêmio Teses e Dissertações ANPPAS (2015); 4 - Prêmio Tese de Doutorado Darrell Posey (2014).

 

Na “Guerra das Ciências” dos anos 1990 se consolidou a práxis totalitária da Oceanografia

Por Gustavo Moura

 

A relação entre saber e poder, ciência e governo permaneceu por muito tempo obscura dissimulando-se nas moitas da neutralidade e da objetividade da ciência. Fazendo crer que é uma ciência neutra, objetiva e, além disso, multidisciplinar, a oceanografia vai (a)creditar-se como um foro privilegiado de produção de conhecimento e, consequentemente, de verdades sobre os mares entre todas as formas de saber, inclusive entre as ciências modernas. Cria-se um dogmatismo da oceanografia enquanto saber absoluto, total e universal que é chamado de exclusivismo epistemológico (Boaventura de Sousa Santos) ou totalitarismo epistêmico (Walter Mignolo) na produção da não-existência de outros saberes sobre os mares. A oceanografia, desta forma, vai se tornar um caso exemplar de ápice de totalitarismo epistêmico na produção de uma monocultura do saber sobre os mares.

Esta práxis totalitária da oceanografia vai localizá-la em um grupo de pesquisadores dentro de um momento histórico da ciência, as Guerras da Ciência. Nos anos 1990, os debates sobre a natureza e a validade do conhecimento científico que produz e legítima transformações no mundo vão se acirrar nos Estados Unidos e nos países europeus. A discussão polarizava dois grupos de pesquisadores com diferentes concepções de ciência na transformação política da sociedade: um que defendia a ciência como objeto de estudo e fenômeno social e os que acreditavam na ciência enquanto produção de verdades. Apesar de não ter participado do momento histórico em que as Guerras da Ciência eclodiu, a oceanografia brasileira insere-se no segundo grupo com a defesa da neutralidade e objetividade da ciência e (a)creditando-se como área de pesquisa privilegiada de produção de conhecimento-verdade sobre os mares.

A partir do final da década de 1990, a pesca torna-se um campo de contestação no panorama científico do Rio Grande do Sul. Um segundo grupo de autores ligados à Teoria dos Comuns, a Antropologia Marítima, a Sociologia, a Geografia, a Educação Ambiental e até a própria oceanografia vão começar a produzir resultados distintos daqueles dos autores que defendem a ciência enquanto produção de verdades. Consequentemente, este segundo grupo de autores, implicitamente ou explicitamente, tem colocado a objetividade e a neutralidade da ciência em cheque inserindo-se no primeiro grupo de autores das Guerras da Ciência.

 
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