• banner_renate
  • banner_o_parlamento_dos_invisiveis
  • banner_dagmar_2
  • banner_daniel_freitas_2
Home Todas as Coleções Artes Performativas e Filosofia
Exaurir a dança

 

exaurir_a_danca

Exaurir a dança: performance e a política do movimento

André Lepecki
Formato: 16x23 cm, 258 páginas
ISBN: 978-85-391-0858-9


“Exaurir a dança” nunca significou para mim acabar com a dança, acabar com o dançar, mas sim identificar de que modo vários coreógrafos e dançarinos, por via da dança, acharam fundamental detonar uma certa ideia ou imagem de dança que bloqueava o seu devir enquanto arte pois a obrigava, aliás a condenava, a um agito sem fim. Esse agito impedia a efetivação das promessas políticas, estéticas, teóricas e afetivas de uma dança que se interessava também por se tornar agente de intensificação do seu campo interventivo.
Assim, “exhausting dance”, na sua ambivalência em inglês significa: uma dança que nos cansa, que nos suga a energia, que nos deixa no mesmo lugar por via de uma agitação sem pensamento e, ao mesmo tempo, indica também um desejo expresso por coreógrafos de repensar o que seria uma política intensiva de movimento, de esgotar essa ideia, ou imagem, ou imperativo estético dominante, que alinha a dança a um comando transcendente de movimento ininterrupto e a todo custo.
André Lepecki


ANDRÉ LEPECKI, ensaísta, crítico e dramaturgo, é professor na Tisch School of the Arts da Universidade de Nova York. É autor de Singularities: Dance in the age of
performance (Routledge, 2015).

 

Compre aqui

 

Um marco na discussão da historiografia dos corpos que dançam

Por Christine Greiner

 

Já completa pouco mais de uma década desde a primeira publicação de Exaurir a Dança, performance e a política do movimento, do professor, dramaturgista e curador André Lepecki. Este livro se tornou uma referência fundamental para pensar politicamente a dança e, não sem motivos, foi traduzido em onze línguas. Mas apesar deste atraso, a excelente tradução para o português, realizada pelo professor da Universidade Federal do Ceará Pablo Assumpção, chega em boa hora. E tendo em vista a situação da dança e das artes em nosso país neste fatídico ano de 2017 – marcado por forte instabilidade política e econômica – a sua leitura será certamente bastante distinta daquela que teria acontecido no momento de sua primeira edição, em 2006.

 

O contexto no qual o livro emerge tem como ponto de partida algumas questões importantes, mas a principal, ou pelo menos aquela que impactou alguns leitores – entre os quais me incluo – foi a construção conceitual e sensível de uma demonstração muito bem fundamentada das transformações que aconteciam naquele momento com a dança. Através de bibliografias e da análise de processos artísticos, Lepecki detectou como, nos primeiros anos do novo milênio, alguns artistas desestabilizaram os principais parâmetros que a tornavam reconhecida como dança até então.

 

Assim como estava ocorrendo com outras linguagens, havia uma certa exaustão de paradigmas e metodologias para pensar suportes e procedimentos. A crítica de arte Rosalind Krauss havia observado, por exemplo, o surgimento de uma condição pós-midiática, marcada pelo atravessamento de experiências e zonas de indistinção entre linguagens e, consequentemente, o surgimento de artistas que se negavam à compartimentação de gêneros artísticos. Lepecki analisa como este processo se deu em relação à dança e à performance e menciona, entre outros aspectos, a exaustão da presença de movimentos com grandes deslocamentos, realizados sempre em um ritmo veloz; e do uso de técnicas, vocabulários e modelos dados a priori, que marcavam quase todas as experiências de dança moderna.

 
^ Top ^