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Pós-humanismo

 

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Pós-Humanismo ou a lógica cultural do neocapitalismo global

Frédéric Vandenberghe
Formato: 14x21 cm, 180 páginas
ISBN: 978-85-391-0734-6

 

Pós-humanismo, ou a lógica cultural do capitalismo global, escrito originalmente em 2001, analisa a globalização como a convergência de três revoluções em uma. Desde então, a sinergia entre as revoluções neoliberal, cibernética e biotecnológica se tornou ainda mais poderosa. Com o foco na biotecnologia, o ensaio oferece uma crítica virulenta do neo-vitalismo tecnológico, quer dizer de todas as teorias futuristas e tecnocapitalistas de obediência nietzschiana, deleuziana e latouriana que buscam a superar a nossa humanitude e preconizam a hibridização artificial da natureza (natural, animal e humana).


O livro apresenta uma atualização das teorias da reificação na era da reprodução tecnologicamente ampliada. Com efeito, o texto constitui a última contribuição de Vandenberghe para a ciência melancólica. “Desde então, andei procurando por uma saída – indissociavelmente teórica, social e pessoal. Não sei se por efeito de uma mudança de país, mas o fato é que minha transição da hipercrítica (Escola de Frankfurt, Bourdieu, Foucault) para a reconstrução coincide mais ou menos com minha chegada ao Brasil”.


No epílogo, ele faz uma retrospectiva do caminho e propõe a teoria reconstrutiva como uma alternativa da, e uma alternativa à, teoria crítica. “Em tempos sombrios, precisamos de uma perspectiva que supere a negação da dialética em uma síntese positiva que prepara para o pior,porém almejando o melhor.”


Frédéric Vandenberghe é professor do IFCS-UFRJ e coordenador do Sociofilo. Faz parte de três clubes: a família habermasiana, o realismo crítico e o Movimento Anti-Utilitarista em Ciências Sociais. É autor de Uma história filosófica da sociologia alemã (três volumes), As sociologias de Georg Simmel e a Teoria Social Realista, entre outros livros.


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Não adianta falar da revolução global capitalista sem examinar suas relações com duas outras, a digital e a genética

Por Gabriel Cohn

 

“Deus está morto. Marx está morto. E eu também não me sinto nada bem”. Não, não foi o autor deste livro que inventou essa frase, verdadeira síntese do século XX, inscrita em muro parisiense em 1968. Mas até poderia, pela mescla de sensibilidade e senso de humor agridoce de que dá mostras no volume que você tem em mãos. A questão que o preocupa passa por esta: será que aquela frase ainda será atual em 2068? Para respondê-la ele mobiliza um elenco vertiginoso de artigos, livros e informações, tudo isso passando pela sua experiência pessoal. E não se trata de qualquer experiência. Esse sociólogo brasileiro por adoção e cosmopolita por convicção revela-se aqui mais de nunca um cidadão engajado, com tudo que isso significa, de entrega, indignação e angústia. Só que em momento algum abre mão da capacidade reflexiva bem fundada.

 

O resultado é um livro que reúne o melhor de dois mundos. Primeiro, oferece análise autorizada e muito bem informada de tema difícil. Depois, faz isso em linguagem que mistura a severidade do estudioso ao ímpeto do defensor de uma posição, a do humanismo crítico. Nele recusa-se tanto a posição “humanista” conservadora quanto o apelo a um “pós-humanismo” incapaz de enfrentar aquilo que importa. Os dados lançados por Vandenberghe caem todos no campo progressista. Isso sem facilitar nada para ninguém. Bom para nós, que podemos tirar proveito de seu imenso esforço com grande prazer.

 

Trata-se de analisar o significado teórico e prático (os dois termos revelam-se inseparáveis) do “pós-humanismo” numa perspectiva muito clara, a da configuração atual do capitalismo. Vandenberghe não é marxista e usa com parcimônia a contribuição dessa corrente (neste livro sua simpatia concentra-se em Jameson), mas sabe que um exame dos dilemas do mundo presente que ignore o termo capitalismo não vale nem o esforço da escrita nem o tédio da leitura. Porém, demonstra ele, não adianta falar da revolução global capitalista em curso sem examinar suas relações com duas outras, a digital e a genética.

 

Está em causa a vida, na acepção mais literal e num ângulo específico, o da sua integral mercantilização. No longo caminho pelo cipoal teórico que enfrenta ele nos propicia análises e intuições brilhantes, como faz quando demonstra que ao proclamar que “o século será deleuziano” Foucault atirou no que viu e acertou no que não viu. É “deleuziano” sim, porém de um modo que nem Deleuze nem Foucault tinham como perceber inteiramente. Só essa análise já valeria o livro, mas é só o começo. Estamos diante de mestre na arte da crítica intransigente porém generosa, sempre buscando avançar junto mais do que tolher o outro. E sem facilitar para si mesmo. Basta ver como aos poucos o texto vai se tornando pungente, lancinante mesmo em algumas passagens. Uma notável aventura intelectual, que vale a pena partilhar.

 
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