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Para uma nova definição do espaço clínico

 

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Para uma nova definição do espaço clínico: topologia em expansão
Henry Krutzen
Formato: 16x23 cm, 326 páginas
ISBN: 978-85-391-0922-7

 

As poltronas e os divãs mudaram. Os encontros clínicos, as supervisões e as análises mostram que o cotidiano dos consultórios e das instituições não corresponde mais aos cem primeiros anos da psicanálise. Depois da primeira grande mudança, que ocorreu após a Segunda Guerra, com os eixos oriundos das teorias da comunicação, ou da cibernética e da topologia clínica lacaniana, uma nova transformação começa a aparecer na psicanálise contemporânea desde o começo dos anos oitenta.

 

O chamado movimento relacional é pouco conhecido no Brasil. Essa nova orientação consiste em vários eixos entrelaçados: os achados das pesquisas sobre os infantes e seus cuidadores. Segundo, os resultados ligados à evolução das neurociências e, em terceiro lugar, os estudos de gênero dentro da teoria e da prática analítica. Esses eixos reclamam uma nova metapsicologia, que está em construção a partir de noções ligadas a teoria dos sistemas dinâmicos não lineares, redes, padrões de organizações e processos, fractais, estruturas dissipativas, e outros.

 

Este livro propõe uma introdução a essas noções que constituem novas hipóteses para pensar e operar na psicanálise hoje.


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Um movimento de retorno à clínica e de retomada da história e da epistemologia da psicanálise
por Christian Dunker

 

Pode-se dizer que Henry faz parte de um movimento mais recente de retorno à clínica e de retomada da história e da epistemologia da psicanálise. Seu thesaurus sobre as correspondências de Freud são um exemplo que como sua cultura psicanalítica ultrapassa em muito o lacanismo. O livro que o leitor tem agora em mãos é um exemplo maior deste reposicionamento.


Ele começa pela reinterpretação da ruptura de Freud e Fliess, em 1897, e que muitos consideram o momento de autonomização da psicanálise em relação à psicoterapia catártica e de refundação conceitual da clínica, pela substituição da hipótese do trauma pelo paradigma da fantasia. Seguindo a abordagem que caracteriza esta Coleção Ato Psicanalítico, Henry dedica-se primeiro a uma espécie de arqueologia de como a prática psicanalítica foi sendo formada e definida, mais do que à consolidação de suas teses metapsicológicas. O estilo de transmissão de Freud precisa ser retomado para entender tanto a formação de políticas baseadas em comitês secretos, guardiões da doutrina e vigilantes dos consensos, quanto para mostrar que isso converge, historicamente, com experiências de alta penetração social, como a Policlínica de Berlim. As controvérsias entre Klein, Anna Freud e a consequente formação do grupo dos independentes (midlegroup) na Inglaterra tornam-se assim pareáveis e legíveis como uma segunda repetição da crise entre teoria e prática, da qual a controvérsia francesa dos anos 1980 se tornará uma terceira volta do parafuso.


Aqui já se adianta uma espécie de meta-diagnóstico da situação, hoje em disputa e debate, acerca das relações entre Lacan e o legado freudiano, assim como da forma como a obra de Lacan inspira leituras e interpretações que abrem para novas “psicanálises”, pós-lacanianas. Aparentemente isso envolve um ajuste de contas com a epistemologia que se quer considerar. Epistemologia não quer dizer aqui apenas fundamentação de conceitos e cientificidade do conhecimento, mas relação entre saber e fazer, entre método e técnica, entre prescrições conceituais e procedimentos clínicos. Henry parece sensível ao fato de que a epistemologia de referência se altera com o tempo e o modo como psicanalistas justificam e transmitem o que fazem segue vias dependentes da cultura e do discurso, que podem ser pensadas por meio de paradigmas e revoluções, cortes e continuidades, mas que nem por isso seriam herdeiras diretas e imóveis das epistemologias do corte de Bachelard a Althusser ou de Koyré a Thomas Kuhn. É isso que permite inferir que a epistemologia freudiana poderia tornar-se mais atual e incontornável que a epistemologia lacaniana. Isso pode vir a ocorrer justamente porque suas pretensões seriam mais genéricas do que o subsequente programa de formalização e matematização da psicanálise. A transformação do lacanismo em uma mistura de idealismo sem narrativa clínica com formalismo sem justificação conceitual torna necessário um retorno a Lacan. Se esta apreciação é correta, estamos diante de uma segunda revolução na psicanálise, que se seguiria à revolução lacananiana, mas agora em uma retomada, mais leal e mais crítica do legado de modalidades clínicas às quais fechamos os olhos e ouvidos durante os anos fundacionistas, para retomar a expressão de Rorty.

 
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