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Geopolítica e discursos territoriais

 

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Geopolítica e discursos territoriais no pensamento autoritário brasileiro das décadas de 1920-1930
Paulo Roberto A. Bomfim
Formato: 16x23 cm, 246 páginas
ISBN: 978-85-391-0931-9


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Um liberalismo de caráter autoritário,

por Paulo Bomfim

 

Ao falar do universo político-econômico, tornou-se quase senso comum associar indistintamente democracia e liberalismo; o que seria impróprio, porém. Liberalismo (ligado a noções como o livre-cambismo e a diminuição das funções e poderes do Estado) e democracia (no sentido da prática do sufrágio universal) podem ser antitéticos e, historicamente, não só o liberalismo clássico tem pressupostos contrários à participação de todas as classes no poder, como teria sido posto em xeque com o progressivo aumento da democratização ao sufrágio, no percurso que o universaliza (Norberto Bobbio). Da convivência entre posturas econômicas liberais e escravidão, da vida política regida pelos grandes latifundiários, resultou, no Brasil, um liberalismo de caráter autoritário, cujo escopo predominante foi a selagem de um compromisso em torno da ordem, e cuja permanência em nossa vida política eclipsou por bastante tempo a face política liberal mais afeita à ordem democrática. Assim, nos debates envolvendo os diferentes setores da sociedade brasileira, do Império à Primeira República, um entrave aparece de maneira bem nítida: a pequena participação política popular. O que equivale a dizer que a política sempre foi na história nacional tarefa de poucos; jogo das classes dominantes.

 

Somente a partir dos decisivos anos de 1920 e 1930 vislumbram-se, principalmente nos meios urbanos, os primeiros sinais de grupos ou movimentos políticos de massas, ou que ao menos em seus discursos sugeririam esta bandeira de mobilização. Contudo, sinais que acompanhariam uma tendência mundial, advinda (como resposta à Primeira Guerra) em direção a uma nova ordem (que não o socialismo): antiliberal (pois creditando papéis muito amplos ao Estado) e antidemocrática, cuja ideia de mobilização popular (quando havia, já que algumas destas propostas eram confessamente elitistas) constituía-se por outros meios que não a democracia representativa. Neste cenário, exasperado pelos destroços do conflito de 1914 e pela crise da 1a República, fomentou-se desde pelo menos os anos de 1910 uma ideologia de Estado: na expressão de F. H. Cardoso um Leviatã Benevolente, tutor de uma sociedade infantil; igual a ela, benévolo, porque se tratava de um guardião de um povo “cordial”.

 

Estava-se, pois, à frente de uma ordem autoritária, em relação à qual, no Brasil, a Ação Integralista Brasileira (AIB) tem sido considerada como uma das primeiras (e mais significativas) representantes dessas supostas novas práticas políticas. Ou mais: o primeiro partido de massa no Brasil a conhecer uma efetiva projeção nacional. O foco principal deste texto, no contexto apontado, é o integralismo: pretende-se analisar neste ideárioterritorial, geográfico, pois, nas reflexões teóricas desse movimento. Noutras palavras, procurar demonstrar que, mais que uma recorrência dos temas tratados pelos integralistas a certa espacialidade, à atuação política sobre o território por intermédio do Estado, poder-se-ia admitir tal procedimento como uma chave para entender e interpretar a ideologia veiculada pela AIB.

 
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