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De dores e de amores

 

de_dores_e_de_amores
De dores e de amores - Re construções da homossexualidade paulistana
Ronaldo Trindade
Formato 16x23cm, 264 páginas,
ISBN 978-85-391-0937-1

 

Este livro traz à tona algumas experiências vividas por homossexuais masculinos na cidade de São Paulo nas últimas décadas do século XX.

Ronaldo Trindade analisa o tipo de ocupação urbana que a homossexualidade promove, as relações com o mercado e com a mídia. Evidencia como a homossexualidade vivida em São Paulo no período se tornou um fenômeno historicamente renovado e multifacetado, fato que se reflete na reorganização dos espaços de sociabilidade, ações políticas e acadêmicas, formas de consumo e também nas representações corporais. O pano de fundo da globalização propricia um diálogo em tempo real com distintas experiências homoeróticas ao redor do mundo, influenciando na emergência de novas classificações identitárias, modalidades sexuais e diversas siglas que foram se constituindo no interior da militância.

Para adquirir seu exemplar, escreva para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Trindade observa as influências internacionais sobre a evolução da cultura gay brasileira,

por James green

 

Olhando para trás nos últimos quarenta anos desde o início do movimento LGBT no Brasil, que criou as condições para estudos antropológicos como esse, observa-se como mudou muito, tanto a sociabilidade LGBT quanto a reação social a esta vivência, desde que o Lampião da Esquina foi publicado pela primeira vez em abril de 1978 e o Somos: Grupo de Afirmação Homossexual, a primeira organização política LGBT um mês depois. Lampião, Somos, e os muitos grupos que se seguiram abriram alas para que muitos pudessem passar. A militância política fora da universidade abriu as portas para que os jovens estudiosos fizessem pesquisas sobre o tema da homossexualidade com o apoio encorajador de seus orientadores, debruçando-se sobre tópicos, até então considerados de pouco valor na maioria de departamentos universitários.

[...]

Com base na antropologia e sociologia urbana, Ronaldo Trindade, um ativista e estudioso LGBT, traçou as complexidades da vida gay na maior cidade do Brasil e documentou a multidão de identidades criadas e recriadas entre os homens que socializam nos espaços "queer" em toda a cidade. O trabalho de Trindade concentra-se nas formas diárias de sociabilidade dos homens gays. Seu mapeamento dos diversos lugares onde eles se concentram para conviver com os seus amigos e encontrar parceiros sexuais oferece uma compreensão geográfica alternativa da cidade e como ela está ocupada.

Entre muitas qualidades deste trabalho, Trindade observa as influências internacionais sobre a evolução da cultura gay brasileira. Nota-se identidades assumidas como "ursos" foram apropriadas da cultural LGBT estadunidense entre homens peludos ou “fortes” para afirmar seus corpos robustos e suas aparências masculinidades. Também analisa o fenômeno das “Barbies”, homens gays que passaram infinitas horas nas academias criando corpos musculosos. Enquanto o nome se referia a uma boneca com origens alemãs, mas popularizado por uma multinacional norte-americano, os gays brasileiros ressignificaram antropofagicamente a expressão e refazem o seu significado para brincar com os que querem criar uma imagem hipermasculina.

A obra estuda a criatividade e talvez o desejo contínuo de usar a ambiguidade para cobrir expressões de identidade mais abertas, como, por exemplo, quando gays lésbicas brasileiras adotaram novos termos como o GLS, para significar as identidades fixas de homens e mulheres e os simpatizantes. Também oferece outras possibilidades para aqueles gays e lésbicas que prefiram permanecer discretos sobre seus desejos sexuais em espaços públicos. Como Trindade documenta neste livro importante para os estudos LGBTT, não há uma identidade "gay" ou "lésbica", mas uma multiplicidade de maneiras em que as pessoas entendem e criam identidades sexuais e afirmem estas identidades publicamente.

 

James N. Green, Brown University

 
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