• banner_annablume_recesso_2018
  • banner_marcia_abujamra_2
  • banner_uma_ideia_de_arquitetura
  • banner_andre_costa
Home
A alam, o olho, a voz

 

a_alma_o_olho_a_voz_2

A alma, o olho, a voz as autoperformances de Spalding Gray
Marcia Abujamra
Formato: 16 x 23 cm, 357 páginas
ISBN 978-85-391-0929-6

 

Compre aqui

Gray, mais do que um ator ou diretor teatral, foi o precursor de modos expressivos e de atuação,
por Matteo Bonfitto

Como nos mostra Abujamra, Gray, mais do que um ator ou diretor teatral dentre outros, foi o precursor de modos expressivos e de atuação que mais tarde proliferariam em diferentes contextos artísticos, para além do teatro dito experimental. Desinteressado pelas categorizações, Gray segue seu percurso artístico como um visionário, desde o prolífico encontro com Elizabeth LeCompte no The Wooster Group até a criação de seus espetáculos-solo, que permaneceram como um dispositivo cênico auto-generativo que só se interrompequando o seu corpo é encontrado sem vida no East River, em 2004.

 

Percorrendo um caminho que parte da Trilogia Rhode Island (1975-1980) até os dezessete trabalhos-solo de Gray, Abujamra evita armadilhas panorâmicas, justificando a amplitude de seu estudo com pontuações importantes, que envolvem noções caras ao teatro contemporâneo, como aquela dos “teatros do real”, passando pelas explorações autobiográficas assim como pelo tensionamento entre realidade e ficção. E não se trata aqui de uma investigação feita à distância, mediada somente por livros e materiais audiovisuais, mas de uma escritura feita de carne, fruto também de experiências diretas vividas por Abujamra em Nova Iorque.

 

Tais experiências diretas parecem ter contribuído de maneira significativa para a percepção das particularidades que envolveram a trajetória de Gray, que teve como um de seus eixos principais uma escavação criativa não-linear de seus processos subjetivos.

 

Porém, mais do que uma simples transposição para a cena de vivências pessoais, Gray parece fazer da cena um laboratório, semelhante e ao mesmo tempo diferente daqueles científicos. Semelhante porque fazia das próprias memórias um material de investigação minuciosa, e diferente porque trata-se de um laboratório onde os experimentos não partem de pressupostos definidos a priori, mas cujo sentido se define na própria processualidade do experimento enquanto experimento, que se guia muitas vezes por roteiros escritos com canetas descartáveis em cadernos baratos. Um laboratório que se concretiza de maneira específica diante de cada público específico como um dispositivo estético catalisador de olhares e saberes: psicanalíticos, antropológicos e políticos.

 

 
^ Top ^