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A psicanálise em Israel

 

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A psicanálise em Israel: sobre as origens do movimento freudiano na Palestina britânica (1918-1948)
Guido Liebermann
Formato: 16x23 cm, 450 páginas
ISBN: 978-85-391-0481-9

Liebermann mostra que uma das características da história da psicanálise na Palestina
reside na oposição entre religiosos autóctones e laicos.

Do prefácio de Élisabeth  Roudinesco

 

A presente obra centra-se na história interna da psicanálise na Palestina britânica e na de seus pioneiros vindos da Europa, muito mais que na análise do contexto internacional próprio ao movimento psicanalítico. Partindo da institucionalização de uma medicina racional em meados do século XIX, Liebermann mostra que uma das características da história da psicanálise na Palestina reside na oposição repetida quase estrutural entre os religiosos autóctones, de um lado – ligados à Khaluqá e às práticas mais ortodoxas da tradição talmúdica –, e os laicos, de outro – vindos da Europa ou dos Estados Unidos e adeptos da Haskalá (Iluminismo Judaico).

E ele nota as premissas disso no difícil destino do grande médico Shimon Frankel, judeu polonês que chegou à Palestina em meados do século XIX e que, ao longo de toda a sua vida, foi acusado de não respeitar o judaísmo – assim como o serão, um século depois, os pioneiros do freudismo. Conta, também, como nasceu a psiquiatria, em 1894, com a criação do Ezrath-Nashim, um manicômio que abrigava judeus e não judeus.

No rescaldo da Declaração do Lord Balfour, que permitia o estabelecimento, em terras palestinas, de um lar nacional para o povo judeu, Chaim Weizmann – representante inglês da Organização Sionista Mundial e fervoroso admirador de Freud – confiou a Montague David Eder a tarefa de promover uma política de emigração para a terra prometida.

Psicanalista inglês de origem lituana, médico de pobres e militante socialista e sionista, Eder favorecerá a ida de todos aqueles que iriam construir o movimento psicanalítico no futuro Estado dos judeus. E ele chega a fazer com que Freud seja eleito para o Conselho de administração da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Foi então que se desenvolveu, com Henrietta Szold, vinda de Baltimore, um sólido atendimento de crianças órfãs ou em situações difíceis. Os dois irmãos Feigenbaum, Aryeh e Dorian, vindos da Galícia e convencidos de que o freudismo podia promover uma forma de emancipação nova da subjetividade humana, empenharam-se para introduzir métodos educativos modernos no domínio da formação dos pedagogos; contudo, também esbarraram em tradicionalismos – Dorian foi acusado de complôs e de colaboração com o bolchevismo. Tudo se passava como se, em se tratando de freudismo, os judeus ortodoxos, fechados a toda e qualquer novidade, não pudessem se impedir de fazer acusações dignas dos Protocolos dos Sábios de Sião – dos quais os judeus haviam sido as primeiras vítimas por parte de antissemitas europeus. Chegou-se até mesmo a falar, contra esses sionistas freudianos, em “profanação dos Lugares Sagrados”.

Vamos encontrar na pena de Guido Liebermann alguns belíssimos retratos desses pioneiros: Grete Obernik, nascida em Brno, amiga de Kafka, analisada em Viena por Anna Freud e que submergiu na loucura; Siegfried Zadock van Vriesland, erudito da língua hebraica, emigrado dos Países-Baixos, sionista melancólico que se suicidará em 1939.

 
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