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Podemos e syriza

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Podemos e Syriza: experimentações políticas e democracia no século 21

Bruno Cava & Sandra Arencón Beltrán (org.)
16x23 cm, 234 páginas
ISBN 978-85-391-0727-8


A vitória da Syriza na Grécia e do Barcelona em Comum, e a ascensão do Podemos à força eleitoral com chances de vencer na Espanha, inflamam o desejo de mudança daqueles que vêm lutando por democracia real. Da Praça Tahrir ao movimento do 15-M, do Occupy Wall Street a Hong Kong, de Gezi Park às jornadas de junho no Brasil, na China, em Israel, na Ucrânia; uma geração inteira de ativistas se debate contra as formas de desmobilização, criminalização e cooptação dos novos movimentos que ocuparam praças, ruas e casas legislativas. Terá o ciclo atingido o momento de cristalização em que formas institucionais começam a ganhar corpo? Será essa própria ideia de uma transmissão da força das ruas nas eleições, da multidão ao governo, uma traição da essência dos novos movimentos? Serão Syriza e Podemos realmente o próximo passo ou, mais modestamente, apenas uma articulação insider ao poder ou, quiçá, uma simples captura dos devires revolucionários?

 

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Com este livro, Bruno Cava e Sandra Arencón organizam as bases para que se trave no Brasil um debate urgente sobre os desdobramentos e as inflexões do ciclo de revoluções que seguiram o impulso das “primaveras árabes” nos dois lados do Mediterrâneo e do Atlântico, até chegar aqui em junho de 2013.

 

No horizonte e impasses desses processos constituintes, um fato novo: o 15M espanhol se tornou o 24M. O evento de maio de 2011 chegou às urnas em maio de 2015, na forma de coalizões municipais heterogêneas e marcadas por candidaturas plebeias, expressões diretas dos movimentos que deram continuidade ao levante inicial: o movimento dos hipotecados (o PAH), o sindicalismo social (as Mareas), os Centros Sociais foram assim as escolas de autoformação de candidaturas “sem partido”, como declarou a nova Prefeita de Málaga em seu discurso de posse: “Vocês são a miséria, Malaga Ahora é a alegria (...). Nós viemos dos centros sociais, dos movimentos, o nosso único interesse é o bem comum, porque não somos um partido”.

 

Com certeza, o sucesso do Podemos nas eleições europeias de maio de 2014 foi um ponto de inflexão rumo à derrocada da representação bipolar que vigorava desde a redemocratização da Espanha. Mas a força da proposta do Podemos contém duas ambiguidades: por um lado, corre o risco de reduzir a riqueza múltipla da democracia horizontal do 15M na verticalidade da “máquina de guerra eleitoral”, teorizada pelo grupo dirigente do novo partido; por outro, a inspiração “populista” sul-americana  esconde ao mesmo tempo uma tentativa hegemônica dentro de Podemos e uma grande fraqueza, pois os governos progressistas da América do Sul estão totalmente extenuados.

 

Venezuela e Brasil bem representam as duas faces desse dramático esgotamento: a falência do chavismo caiu no atalho autoritário ao passo que  a do lulismo busca salvação do lado da austeridade neoliberal. A vitória municipalista do 24M, como transbordamento plebeu e horizontal em relação à verticalidade do Podemos faz hoje da Espanha constituinte um horizonte de reinvenção institucional, fundamental para que as multidões europeias possam (a começar pela Grécia) romper a chantagem exercida pelo regime de gestão da austeridade.

 

Mas esse horizonte constitui também uma brecha para o Brasil, onde a mesma austeridade é organizada a partir da política do medo que a “esquerda” conseguiu impor ao movimento de junho e mais em geral à multidão dos pobres que desde então tenta renovar as lutas e o sindicalismo. O mote do neozapatismo virou lema: “mandaremos obedecendo” disseram as prefeitas de Madri, Málaga, Barcelona e de muitas outras cidades menores. No Brasil, também, é da reabertura da brecha do levante de junho de 2013 que depende a invenção de uma nova maneira de fazer política.

 

A leitura dos diferentes capítulos desse livro é fundamental para apreender esses desafios.

 

 

Giuseppe Cocco

 

 

 
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