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Museus e identidades na América Latina
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Museus e identidades na América Latina
Camilo de Mello Vasconcellos, Pedro Paulo Funari, Aline Carvalho
Formato: 16x23 cm, 260 páginas
Isbn: 978-85-391-0695-0

 

Esta obra discute os museus em suas constantes transformações, inseridos numa arena de disputas em torno de projetos políticos e de representações sociais de diferentes matizes ideológicas. Cobre uma lacuna bibliográfica sobre as recentes experiências museológicas latino-americanas, a partir de reflexões feitas por pesquisadores renomados de diferentes países de nosso continente.
Voltado para profissionais e alunos que se preocupam com os novos e instigantes rumos que essas instituições vêm assumindo nos últimos anos na América Latina, o livro, de outro lado, está escrito de maneira acessível também a todos que se interessam sobre o tema.

 

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"O grande desafio do universo museológico a partir da segunda metade do século XX tem sido o de democratizar e tornar acessíveis as coleções de diferentes museus para diferentes categorias de públicos"
Por Camilo de Mello Vasconcellos, Pedro Paulo Funari e Aline Carvalho

 

Herdeiros do ato de colecionar, os museus vêm passando por intensas modificações nos dias atuais em função de novos questionamentos a respeito de sua função social, educacional e de pesquisa. Além disso, outros importantes temas relativos ao gerenciamento de coleções museológicas, formadas historicamente em diferentes contextos, compreendem novas e férteis possibilidades de pesquisas e nos  apontam outras perspectivas em função da globalização e que tornam necessárias  novas proposições sobre  processos identitários e memórias individuais e/ou coletivas.

 

Acreditamos que o grande desafio do universo museológico a partir da segunda metade do século XX, tem sido o de democratizar e tornar acessíveis as coleções de diferentes museus para diferentes categorias de públicos. Mas sabendo da história e da origem elitista dessas instituições, consideramos que esta possibilidade vem ocorrendo de maneira bastante positiva a partir das últimas décadas do século XX e nesse princípio de século XXI. Aliás, historicamente a grande questão colocada sempre foi a de vencer barreiras que pudessem alterar a visão comumente aceita de que essa instituição era algo inatingível e distante da maioria da população.

 

Na América Latina os índices de analfabetismo ainda são consideráveis e, nesse contexto, o mundo das imagens e representações na qual os museus atuam acabaram criando uma referência fundamental para que os seus visitantes possam debater temas como processos identitários e memórias em construção. Não se trata mais de promover a identidade de cima para baixo como fizeram os grandes museus nacionais a partir do final do século XIX, mas de buscar compreender as razões e os novos olhares que diferentes profissionais, além do próprio público, vêm trazendo para o universo dos museus, colocando-os no centro de novos e promissores debates.

 

Nesse sentido, é fundamental retomarmos alguns encontros/marcos que ocorreram na América Latina e que se constituíram em referências de grande importância para o redirecionamento de novos desafios para o universo museal.  O primeiro foi o Seminário Regional da Unesco sobre a Função Educativa dos Museus, realizado na cidade do Rio de Janeiro, em 1958. Esse encontro apontou o museu como um espaço adequado para estabelecer vínculos com a educação formal e a necessidade de uma maior relação com as diferentes comunidades, na perspectiva de sua função transformadora e de desenvolvimento. Outro encontro fundamental ocorrido na cidade de Santiago do Chile, em 1972, apontou duas questões candentes para os museus latino-americanos: o conceito de museu integral, isto é, que tais instituições deveriam estar inseridas na totalidade dos problemas da sociedade, e do museu como ação, isto é, como instrumento de mudança social. Nesse encontro, o representante da delegação brasileira deveria ter sido Paulo Freire, mas, por razões políticas do regime que vivíamos, não pode assumir este posto.

 

Como resultado das resoluções dessa mesa redonda de Santiago do Chile, assistimos a experiências museais relevante no México, com os Museus Escolares na década de 1970,  e, posteriormente, com os Museus Comunitários a partir de 1983, além obviamente, da presença marcante da museografia de Mário Vázquez Ruvalcaba no seu impressionante projeto de edificação do Museu Nacional de Antropologia desse país. Dois outros encontros foram igualmente importantes, como o de Quebec, de 1984, considerado um marco no que diz respeito à necessidade de buscar novos processos museais comprometidos com uma Nova Museologia e que apontavam a necessidade de uma prática que substituísse uma museologia de coleções por uma outra de caráter social e engajada. Finalmente, é necessário apontarmos a Declaração de Caracas de 1992, cuja principal novidade foi a definição do museu como um instrumento de comunicação e do necessário investimento na formação de recursos humanos, no sentido de contribuir para a qualidade de um novo profissional que deveria atuar em consonância com as grandes modificações sociais, políticas e econômicas que o mundo vinha assistindo a partir daquele contexto.

 

Passados mais de quarenta anos do encontro de Santiago e vinte de Caracas, vimos assistindo a modificações de grande importância no que diz respeito ao universo dos museus na América Latina.

 

Esses processos são advindos de uma série de razões: a criação de novos cursos de formação na área museal, tanto em nível de graduação como de pós-graduação, que acabou criando uma geração de profissionais comprometidos com a transformação dos museus, além das demandas sociais que passaram a questionar o papel tradicional e distante dos museus em relação às necessidades de maior empoderamento de grupos que reivindicam uma efetiva ação social dessas instituições.  Além disso, também assistimos a novos processos identitários  e de memória coletivas que colocaram os museus também no centro dos debates contemporâneos.

 

Esse livro apresenta algumas realidades provenientes dessas transformações em nosso continente. Não pretende apontar modelos a serem seguidos, pois cada realidade museológica latino-americana é singular,  mas demonstrar como estas instituições  podem ir além de edifícios que abrigam coleções e recebem  visitantes. Mais que isso, os museus vêm se transformando numa arena de disputas e de transformações na relação com as suas mais distintas comunidades e, dessa maneira, tornam-se instituições que participam da vida e da dinâmica social em que nos encontramos imersos.

 

Com isso apresentamos, numa reflexão crítica e inovadora, uma série de artigos escritos por historiadores, antropólogos, museólogos, arqueólogos e historiadores , que evidenciam a riqueza dos processos museais, além de novas perspectivas de pesquisa em torno de uma instituição que vem assumindo importância fundamental em nosso continente na atualidade.

 

 

 

 

 
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