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Asas da centralidade em céus conhecidos

 

Janus era o deus romano de começos, limiares e portas. Ele era dito bifrons (“de duas faces) e sempre representado com uma face voltada para a frente e outra para trás, para o passado e o futuro. Ele pode ser duplamente invocado agora, por estarmos no início do livro de Ana Paula Camilo Pereira, e porque o livro também é bifrons, por ter uma face voltada para as estratégias das companhias aéreas, e outra para a estruturação do território aéreo nacional.

 

O seu foco principal é a análise das estratégias concorrenciais e de competitividade do setor de transporte aéreo brasileiro, mas o seu ponto de partida, a premissa central que lhe dá força e originalidade, é que “considera-se, a priori, que a relação entre o capital e o território constitui o centro da ação das estratégias desenvolvidas pelas companhias aéreas.

 

Para Ana Paula Camilo Pereira “cada aeroporto exerce um poder sobre as companhias aéreas e vice-versa [...] Não apenas as empresas aéreas exercem domínio sobre os aeroportos, estes também determinam um posicionamento empresarial sob as ações das empresas aéreas”. E mais adiante ela explica que “as empresas aéreas traçam suas estratégias para obter e deter o domínio, a supremacia do poder por meio da atuação em territórios e aeroportos específicos que permitirão a reprodução do seu capital empresarial”.

 

Vindo da economia, ela se tornou plenamente geógrafa e quando diz “Dentro dessa análise, nossa hipótese se situa numa perspectiva socioespacial, ao integrar a dinâmica do capital à dinâmica territorial”, e ela poderia ter dito que trabalha “numa perspectiva geográfica”, no sentido pleno da palavra. Não diz outra coisa afirmando “Foi nesse sentido que a compreensão da importância do "território" se fez presente nessa abordagem. A dinâmica territorial se mostrou um elo fundamental para se analisar o setor de transporte aéreo no Brasil”.

 

Nesta perspectiva, o livro analisa as implicações territoriais e econômicas das ações estratégicas das principais empresas aéreas do setor, TAM Linhas Aéreas, GOL Linhas Aéreas Inteligentes e AZUL Linhas Aéreas Brasileiras, focando-se nos principais aeroportos brasileiros. O recorte de tempo inclui um primeiro período (2000-2007) marcado principalmente pela desregulamentação no setor aéreo, que favoreceu a livre atuação das empresas aéreas em detrimento de políticas que controlassem as suas disputas. No segundo período (2008-2013) começou e atuação de fato de um ente regulador para o setor aéreo, a ANAC, criada em 2005.

 

Hervé Thery

 

asas_da_centralidade_em_ceus_conhecidos

Asas da centralidade em céus conhecidos : a dinâmica empresarial do setor de transporte aéreo no território brasileiro

Ana Paula Camilo Pereira
Formato: 16x23 cm, 334 páginas
 
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