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Home Sociologia
Na trama das identidades

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Na trama das identidades : práticas sociais e imagens do trabalho no corte de cana
Jaime Santos Júnior
Formato: 16x23 cm, 290 páginas
ISBN: 978-85-391-0839-8

 

Jaime Santos Junior apresenta uma contribuição inovadora e relevante para os pes quisadores que estudam os trabalhadores nos canaviais. Busca compreender  eles elaboram diferentes formas de lidar e representar as condições de trabalho, que são caracterizadas por muitos pesquisadores como de intensa exploração e dilapidação. Privilegia seu olhar para a capacidade de agência dos trabalhadores e da reflexividade da ação social.

 

 

Frente ao labor degradante na indústria da cana, uma verdadeira tragédia no uso do trabalho humano, como descobrir o trabalhador?
Por Nadya Guimarães e Francisco Oliveira

“Cortar cana é um serviço pesado”.  Expressão dos trabalhadores, ouvida de modo recorrente, e que pesa no imaginário do intérprete, desafiando-o a dar sentido ao que lhe invade os sentidos. Frente ao labor degradante na indústria da cana, uma verdadeira tragédia no que respeita ao uso do trabalho humano, como descobrir o trabalhador? Como fazer emergir suas percepções e estratégias, no intrincado de evidencias que poderia ser facilmente empacotado (e subsumido) no fardo das condições degradantes?  Tal é o desafio analítico encarado por Jaime Santos Jr. neste livro.


Para enfrentá-lo, veremos o seu autor mover-se no fio da navalha, sem trégua, sob o influxo de dois movimentos interpretativos, tão caros aos sociólogos quanto reciprocamente tensionados. Sem perder de vista os contextos da ação, trata de recuperar as formas como os indivíduos interpretam e conferem sentido aos constrangimentos que se lhe oferecem, (re)fazendo condutas e, nesse sentido, transformando os pontos de partida que estruturaram a sua ação.  Ora, revelar esse intrincado e permanente trabalho interpretativo dos sujeitos do trabalho requer do observador uma pista eficaz. Afinal, estar preparado para “o rojão da cana” não é para qualquer um. Há que construir-se para suportá-lo; há que ser “taludo”. Mas, onde encontrar os esteios dessa construção? Como percebê-los?


Ao longo do livro o seu autor arrisca um exercício, o de usar a linguagem como o campo sócio-simbólico analiticamente relevante, como uma espécie de revelador. Uma empresa por certo desafiadora. De partida porque, na vida social, o meio através do qual se expressam sentimentos, percepções, anseios, derrotas, sofrimentos - identidades subjetivas, em suma, está longe de ser, como na fotografia, um processo simples de tornar visíveis imagens antes latentes.  A linguagem carece do efeito unívoco ou da transparência que a luz exerce sobre cristais de prata, desencadeando a revelação. O autor sabe disso, entende o risco que corre, e sente o fio da navalha. Procura precatar-se trazendo para a frente da cena uma outra ideia relevante no campo, a da reflexividade. Explora, por exemplo, de maneira criativa, os elementos de dissimulação e ocultamento, presentes na forma astuciosa pela qual se discorre sobre a produtividade e sobre  “quem produz muito”. Assim fazendo, nos deixa entrever o sujeito da linguagem, hábil, a manejá-la como estratégia de contorno à investida do pesquisador, mas que também o faz na dura negociação cotidiana dos seus interesses.

 
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