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Famílias, trabalho e migrações

 

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Famílias, Trabalho e Migrações

Mariana Z. Thibes, Marilda Menezes e Jaime Santos Jr. (Organizadores)
Formato: 16 x 23 cm, 202 páginas
ISBN: 978-85-391-0875-6

 

O livro é resultado de pesquisas em torno do eixo do trabalho e das famílias em migrações pelo território brasileiro e internacionais. Essa união constitui um “lugar” analítico promissor para se pensar, por exemplo, questões conceituais sobre as categorias mobilizadas, novas formas de análise da classe trabalhadora e das trajetórias de vida, dos fluxos migratórios e a diversidade dos arranjos familiares. Assim, ao explorar as zonas de intersecção entre esses temas, pretende-se formular novas questões sobre parentesco, geração, identidades, gênero, locais de moradia, bem como questões teórico-metodológicas.

 

Se a família é uma construção social e institucional composta por um conjunto de normas e valores situados num lugar e tempo específicos, compreender os arranjos familiares em sua complexidade depende de situá-los em contextos sociais determinados que refletem as oportunidades e os constrangimentos existentes. Esses arranjos são definidos de modo articulado com as transformações nas relações de produção, trabalho e gênero. Captá-los em toda sua complexidade torna-se uma grande tarefa que exige seu entendimento integrado e informado pelas experiências de vida.

 

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A trajetória de uma empreendedora de sucesso na periferia de São Paulo

Por Mariana Thibes, Marilda Menezes e Jaime Santos Jr.

 

É parte memorável da história que a migração para São Paulo foi, durante muitas décadas, estimulada pelas oportunidades de emprego na indústria da região. A partir da década de 1990, entretanto, a reestruturação produtiva, as reformas neoliberais e a grave crise na indústria nacional fez com que milhares de trabalhadores fossem atingidos pelo desemprego (Pochmann, 2006). Essas mudanças obrigaram os migrantes a criarem novas estratégias de inserção no mercado de trabalho.

 

Nesse novo cenário, dois modelos de relação capital-trabalho ganham destaque: as formas de emprego no setor de serviços, que sofrem os efeitos da chamada “precarização”, e as trajetórias “solo” dos “empreendedores”, sobretudo os de pequeno e médio porte. No nível das escolhas individuais, ter o próprio negócio aparece, a despeito do risco, como uma opção que promete melhores ganhos e autonomia, ou como uma estratégia de sobrevivência para lidar com o desemprego e a precarização do trabalho. No que diz respeito ao seu papel na nova economia financeira e flexível, as pequenas empresas, os pequenos negócios de “fundo de quintal” desempenham um papel importante ao oferecer uma pequena produção flexível mais próxima da demanda de consumo e mais ágil para atendê-la em um mercado decomposto em pequenos segmentos, ou “nichos” (Souza, 2010).

 

É exatamente em um desses “nichos” que a protagonista dessa história, Elisa, encontrou seu meio de vida: na moda feminina plus size, ou especializada em tamanhos grandes. Sua trajetória torna-se digna de nota não apenas por conta de sua ascensão social, mas devido ao modo como mobiliza elementos de seu passado – a socialização inicial no comércio quando ainda vivia no sertão nordestino – adaptando-os, remodelando-os, “modernizando-os” para enfrentar a vida na grande metrópole e tornar-se a dona bem-sucedida do próprio negócio. Esse repertório é chamado de “capital familiar” por Souza que, inspirado na conceptualização bourdieusiana do capital cultural, o define como um “conjunto de exemplos e valores do trabalho duro e continuado, mesmo em condições sociais muito adversas” que é transmitido de uma geração a outra. Se o capital econômico dessas famílias é mínimo, assim como o capital escolar, a existência de uma família estruturada capaz de transmitir determinados valores e fazer internalizar uma ética do trabalho é o que as distingue enquanto classe capaz de ascender socialmente, de acordo com o autor. A história de vida de Elisa, essa microempresária da periferia paulistana, deixa entrever que a transmissão desse repertório foi decisiva em suas chances de ascensão, assim como sua capacidade adaptativa ao modo de funcionamento do capitalismo contemporâneo ao encarnar a figura de uma “empreendedora” moderna. 

 


 
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