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Os fundamentos da teoria antropológica alemã

 

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Os fundamentos da teoria anrtopológica alemã: Etnologia e Antropologia em países de língua alemã (1700/1950)
Renate Brigitte Viertler
Formato 16x23cm, 316 páginas 
ISBN 978-85-391-0897-8


Renate Viertler traz as teorias socioculturais e biológicas de pioneiros em antropologia e etnologia cujos textos receberam relativamente pouca atenção dada a barreira linguística representada pela língua alemã. A riqueza das obras desses estudiosos justifica a necessidade de divulgá-las, já que não são mencionadas na maioria das histórias relativas ao assunto publicadas em inglês ou em francês.

O estudo propõe-se a contribuir para o preenchimento dessa lacuna, algo indispensável para melhor compreender a formação de etnólogos tais como Karl von den Steinen, Curt Nimuendaju, Emílio Willems e Herbert Baldus, que viveram e trabalharam no Brasil, país onde escrevo esta compilação.

 

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O resultado é um questionamento em profundidade de toda uma tradição de pensamento

Por Gabriel Cohn

 

O fascínio pela diversidade inesgotável de manifestações da vida humana e a busca da unidade que permita falar de humanidade no singular. Eis os dois impulsos básicos que animam a vertente de língua alemã das ciências do homem, na reconstrução apresentada neste livro pela antropóloga Renate Brigitte Viertler. Uma reconstrução que não omite os momentos de inspiradora criatividade nem as passagens sombrias de um pensamento que nunca recuou diante dos extremos. A autora está exemplarmente qualificada para a tarefa que se propôs. Nela se aliam a formação e a experiência prática da pesquisa etnológica mais exigente, em suas importantes contribuições para o estudo dos Bororo do Mato Grosso, com a sensibilidade e a inquietação intelectual de quem viveu a aventura da migração alemã para o Brasil em tempos difíceis.

O resultado é um questionamento em profundidade de toda uma tradição de pensamento, captada em termos viscerais, para além da mera curiosidade intelectual ou das exigências formais da academia (no seu caso, a USP). Que o tom comedido da docente universitária que marca o texto de ponta a ponta não deixe margem a dúvidas. É com paixão que cada linha foi escrita, no confronto com uma trajetória de pensamento com fundas e não raro dolorosas marcas políticas. Por isso mesmo, em cada passo da exposição encontra-se a contextualização histórica, nutrida pela lição de Gadamer, de sempre estar atento para os traços que os diversos modos de interpretar o mundo oferecem para um melhor entendimento entre povos e épocas. Não por acaso é Leibniz o autor que abre o conjunto. Essa figura modelar daquilo que granjeou para o século XVII a qualificação de “século do gênio” soube, na vertiginosa diversidade do seu pensamento (“um dos mais potentes intelectos de todos os tempos”, dizia nada menos do que Bertrand Russell) reservar espaço não só para a historiografia como para a linguística e, sempre pela via do interesse na convivência tolerante, para estudos que prenunciam aquilo que mais tarde seria a pesquisa antropológica. Os estudos de linguagem sempre estiveram no horizonte dos autores alemães, mostra Renate, e caso por caso explica as razões disso, tanto do ponto de vista da história cultural quanto da perspectiva sistemática.

Análise dos fundamentos históricos junto com as conexões internas de sistemas de pensamento: nada menos do que isso se encontra neste livro sem similar entre nós. E isso sobre tema que não nos interessa por acaso. Afinal, foi da Alemanha que vieram algumas figuras fundadoras dos estudos antropológicos brasileiros, como nele se recorda, com expressa referência a Egon Schaden. Nem sempre encontramos livro como este, em que se enlaçam tensa mas harmoniosamente distanciamento analítico e experiência vivida, numa espécie de fecho do conjunto de um trabalho realizado com garra e entrega.

 

 
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