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de caboclos a bem-te-vis segunda edição

 

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De caboclos a bem-te-vis: formação do campesinato numa sociedade escravista: Maranhão, 1800 - 1850 - segunda edição
Matthias Röhrig Assunção
16X23 cm, 550 páginas
Isbn : 978-85-391-0660-8

 

O leitor perceberá no estudo de Assunção um escravo visto sob um ângulo incomum, pois cercado de indígenas e de europeus de variadas identidades. Também verá que o “tempo balaio” é um processo de difícil amálgama de todo este universo, e ao mesmo tempo é quando se forma a maior parte da riqueza que faz os caboclos transmutarem-se em bem-te-vis.

Magda Ricci (UFPA) Resenha para Revista Afro-Ásia 56

 

Dentre os méritos que emergem do texto, talvez o mais significativo e original esteja na proposta de explorar formas não escravistas de trabalho em uma das mais escravistas províncias do Império do Brasil. Pesquisa de fôlego sobre a sociedade maranhense […] De Caboclos a Bem-te-Vis é leitura obrigatória para os pesquisadores dedicados às primeiras décadas do século 19.

Marcelo Cheche Galves (UEMA) Resenha para Revista Almanack 15

 

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A singularidade maranhense. Por Matthias Assunção


O carater específico da sociedade regional maranhense foi o resultado da conjunção de vários fatores, desde as condições ecológicas e do tipo das sociedades nativas aos agentes externos que iriam intervir a partir do século XVII. A interação desses fatores gerou, no caso do  Maranhão, uma trajetória histórica bastante singulare, infelizmente, pouco conhecida no resto do Brasil.


O Maranhão e as demais capitanias do Norte foram consideradas até o século XVIII colônias periféricas, de relevância econômica reduzida, mesmo que o governo português reconhecesse a importância estratégica da Amazônia. Somente o cultivo e a exportação do algodão transformaram o Maranhão numa economia de plantation similar às que já existiam no Nordeste e no Sudeste desde o século XVI ou XVII. O caráter tardio dessa transformação – ocorreu no Maranhão apenas nas três últimas décadas do século XVIII - não deixou de incutir também traços particulares à província.


A tese central defendida ao longo das páginas que seguem é que a economia escravista de plantation - apesar de sua implantação tardia - caracterizou- se no Maranhão pelo desenvolvimento de uma economia camponesa relativamente importante, diferenciada e autônoma, sobretudo quando comparada a outras regiões brasileiras onde também predominou a grande lavoura escravista. Apesar de um segmento da economia camponesa assumir uma função complementar à economia de plantation, o antagonismo estrutural entre os dois setores está na base dos conflitos entre os fazendeiros escravistas e os camponeses, chamados e auto-denominados caboclos desde aquela época. Este antagonismo foi a pre-condição para a eclosão da Balaiada.


O conflito assumiu naquele momento proporções importantes pela conjunção de vários fatores: em primeiro lugar, a expansão da economia de plantation foi contida na primeira metade do século XIX devido a rigidez da fronteira agrária na região pre-amazônica. Além do mais, a economia encontrava-se num processo de interiorização enquanto a elite regional, que monopolizou o poder depois da Independência, favorecia apenas o setor de exportação. Finalmente, a Independência desencadeou um processo de destabilização que facilitou o questionamento do poder político.

 
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