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Mulheres, tempos e trabalhos

 

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Mulheres, tempos e trabalhos
Carla Cristina Garcia
Formato: 14x21 cm, 176 páginas
ISBN: 978-85-391-0912-8


A introdução da diferença sexual (ou do gênero segundo a preferência de algumas tendências teóricas) como chave de análise social transformou não apenas a forma de analisar os trabalhos femininos, mas a própria maneira de investigá-los. Os artigos apresentados nesta publicação pretendem traçar alguns caminhos possíveis para a análise dos trabalhos das mulheres buscando contribuir com respostas inovadoras e socialmente urgentes.

 

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A enorme transferência de conhecimentos e capacidades que as mulheres fizeram como trabalhadoras à produção,

por Carla Cristina Garcia

 

Novas conceituações como a diferença entre qualificações formais e informais, o conceito de trabalho de cuidados, economia de doação, trabalho generificado, modo de produção feminino, ambivalência ou ambiguidade (alguns surgidos dos estudos sobre trabalho familiar) permitiram visualizar a enorme transferência de conhecimentos, de capacidades, especializações que as mulheres fizeram como trabalhadoras assalariadas à produção e com isso iniciaram um processo de experiência de trabalho feminino.

Como os estudos da dupla presença feminina mostraram ao longo destes anos, a capacidade das mulheres para se relacionarem com as pessoas, para realizar trabalhos de cuidados, para atender necessidades pessoais, foram sendo transferidos continuamente ao mundo da produção e particularmente, mas não apenas, ao setor de serviços. Esta transferência em contato com as lógicas produtivistas produziu diversos tipos de conflitos e contradições.

Mesmo quando estas qualificações e capacidades tenham estado presentes na organização do trabalho, foram tradicionalmente desvalorizadas ou negadas. As razões para este estado de coisas foram diversas e devem ser buscadas tanto nos processos de naturalização de tais capacidades como nas modalidades de socialização de tais qualificações que foram geralmente informais, realizadas em família ou por meio de redes femininas não oficiais, ou seja, fora da educação formal.

Tais estudos contribuíram de forma fundamental ao processo de revalorização da subjetividade feminina. A categoria de dupla jornada, sublinhou os limites da emancipação ao constatar como a incorporação da mulher ao trabalho ao invés de modificar as estruturas familiares, duplicou o trabalho para todas.

A categoria da dupla presença deu a esta experiência uma dimensão de maior complexidade ressaltando como a característica desta nova etapa da condição feminina frente a anterior prioridade dada ao trabalho doméstico, era a equiparação das exigências e valores do profissional e do familiar, a gestão da presença simultânea em ambas esferas, e, ao mesmo tempo a articulação de dois mundos aparentemente separados porque produção e reprodução exigem das mulheres lógicas de atuação e aceitação de valores contrapostos que como muitos estudos demonstram dão lugar ao “ mal estar da emancipação” e provocam uma relação de ambivalência/ambiguidade na construção identitária das mulheres.

A introdução da diferença sexual (ou do gênero segundo a preferência de algumas tendências teóricas) como chave de analise social transformou não apenas a forma de analisar os trabalhos femininos, mas a própria maneira de investigá-los.

Desse modo, os trabalhos que ora apresentamos nesta publicação pretendem traçar alguns caminhos possíveis para a análise dos trabalhos das mulheres buscando contribuir com respostas inovadoras e socialmente urgentes.

 
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